Seguinte, eu tava lá, na minha, de pernas cruzadas, tomando meu habitual suco de abacaxi com hortelã, tipo assim, no meio do expediente. Coisa linda. Chega de café. Sem café na minha vida. Sem café. Não compro mais café. Agora sou light, só tomo sucos e me alimento de vegetais. Só no pão e água. Pão e água? Que pobreza. Não. Croissant e água Perrier, como já diria meu alterego.
Ai, do que adianta ela fazer o maior mistério em torno de si, onde não se refere a si em nenhum momento, sendo que no fim das contas ela assina “Annie”?
Hoje tirei o dia para mexer na minha estante de livros (sim, eu tenho uma estante de livros, livros-livros), sei lá. Olhar. Peguei rascunhos de todos os tipos, que eu guardo, porque eu não sei jogar rascunhos fora. Pro lixo: um saco enorme, com três quilos, com meus maiores segredos.
Nah. Esquece a parte dos segredos. Segredos: não tenho. Sério, minha vida é quase um livro aberto. Eu diria que é mais uma cartinha de amor em pedaços, fora de ordem, blábláblá. Clichê, né. Você sabe — sou clichê. Clichê e piegas. Mas, foda-se, né… Porque eu sou piegas mesmo e quero ver quem é que vai pagar as minhas contas! A parte das contas é brincadeira, porque eu acho cafona demais quando dizem “não pagam as minhas contas”, sério. Nem pochete supera.
Escute, debaixo da minha cama tem caixas com rascunhos bobos. Na realidade é só uma caixa, porque o resto eu tratei de jogar fora. Não sou adepta a isso, gosto de guardar, valor pessoal e tal. Guardar mesmo, só carta e escritos geniais, dos quais, obviamente, não vou expor. Sou bonitinha e discreta.
Mentira.
E, ao lado da caixa, tem algumas canetas, porque eu gosto de escrever na cama e aí elas acabam caindo. Minha preguiça é demais. Não tenho guarda-roupa, é tipo um criado mudo, sei lá que merda é aquela, mas eu queria comunicar-te que cansei. Cansei. Porque eu não gosto de reclamem da minha desorganização. E só podem reclamar da minha desorganização quando se possui um acesso válido as gavetas do criado-mudo ou sei lá que merda é aquela. Ninguém sabe, mas aquela bagunça é organizada. Pelo menos pra mim. Eu sei que as minhas duas calças preferidas estão abraçadas. Dur, é claro que eu sei. E eu sei que tem umas camisetas por cima. Normal. Tô mal de roupa, viu. Preciso. Necessidade.
Nossa, mas esse clima abafado e (h)úmido não tá rolando pra mim. Não mesmo. Porque, vê, uma pessoa com a minha Envergadura Moral não pode usar shortzinho vermelho, meio rasgado. Ai, coisa da Júlia. Júlia filha da puta. Tô quase pegando uma tesoura e fabricando uma regata na marra, sou impulsiva, mas sou contida. Quase uma contradição. Cabelo preso e tal. Minha irmã diz que o meu cabelo, desse jeito que eu prendi, é muito sexy e incomoda ela, porque ela não tem sex appeal, ou alguma coisa assim. Sei lá. Corta.
Pausa.
Aí que reclamaram da minha desorganização, porque eu sou uma moça e tal, porque é mais bonitinho, mais fácil de achar tudo, blá. Não quero. Fim. Curto privacidade fodida. Porque, imagine… A maçaneta da porta do banheiro quebrou. Aí é meio ruim, porque, imagine… Você tá tomando banho. Aliás, a paradinha cortina do box é transparente. Ai, pára.
Então que eu gosto de privacidade. De guardar bilhetinhos e rascunhos e essas coisas guêis (que foi pro lixo, porque estava meio tenso procurar calcinhas no meio de rabiscados). E ponto final. E eu vou jogar essa porra de criado-mudo ou sei lá que merda é essa fora. Fuera de mi viiiiiiiiiiida, diablo!
Parei de traços esquizofrênicos. Preciso exorcizar essas coisas do meu ser coisa e tal. Tá meio insuportável. Daí que, daí que eu vou comprar um baú. Um baú. Nada de guarda-roupa, armário ou sei lá mais que merda. Um baú. Baús são legais. Vou encher de adesivos e vou colocar um cadeado enorme. Ele é de marfim.
Vou comprar duas unidades daquela camiseta, com símbolo salva-vidas e “afoguem as feias!”. Uma eu vou dar de presente, após usar por uma semana. E a outra, é claro, vou ficar pra mim. Porque poesia como tal, não há.
Sei lá. Queria tanto que o meu sobrenome fosse Navarro. Tão fácil de pronunciar.
Ai, do que adianta ela fazer o maior mistério em torno de si, onde não se refere a si em nenhum momento, sendo que no fim das contas ela assina “Annie”?
Hoje tirei o dia para mexer na minha estante de livros (sim, eu tenho uma estante de livros, livros-livros), sei lá. Olhar. Peguei rascunhos de todos os tipos, que eu guardo, porque eu não sei jogar rascunhos fora. Pro lixo: um saco enorme, com três quilos, com meus maiores segredos.
Nah. Esquece a parte dos segredos. Segredos: não tenho. Sério, minha vida é quase um livro aberto. Eu diria que é mais uma cartinha de amor em pedaços, fora de ordem, blábláblá. Clichê, né. Você sabe — sou clichê. Clichê e piegas. Mas, foda-se, né… Porque eu sou piegas mesmo e quero ver quem é que vai pagar as minhas contas! A parte das contas é brincadeira, porque eu acho cafona demais quando dizem “não pagam as minhas contas”, sério. Nem pochete supera.
Escute, debaixo da minha cama tem caixas com rascunhos bobos. Na realidade é só uma caixa, porque o resto eu tratei de jogar fora. Não sou adepta a isso, gosto de guardar, valor pessoal e tal. Guardar mesmo, só carta e escritos geniais, dos quais, obviamente, não vou expor. Sou bonitinha e discreta.
Mentira.
E, ao lado da caixa, tem algumas canetas, porque eu gosto de escrever na cama e aí elas acabam caindo. Minha preguiça é demais. Não tenho guarda-roupa, é tipo um criado mudo, sei lá que merda é aquela, mas eu queria comunicar-te que cansei. Cansei. Porque eu não gosto de reclamem da minha desorganização. E só podem reclamar da minha desorganização quando se possui um acesso válido as gavetas do criado-mudo ou sei lá que merda é aquela. Ninguém sabe, mas aquela bagunça é organizada. Pelo menos pra mim. Eu sei que as minhas duas calças preferidas estão abraçadas. Dur, é claro que eu sei. E eu sei que tem umas camisetas por cima. Normal. Tô mal de roupa, viu. Preciso. Necessidade.
Nossa, mas esse clima abafado e (h)úmido não tá rolando pra mim. Não mesmo. Porque, vê, uma pessoa com a minha Envergadura Moral não pode usar shortzinho vermelho, meio rasgado. Ai, coisa da Júlia. Júlia filha da puta. Tô quase pegando uma tesoura e fabricando uma regata na marra, sou impulsiva, mas sou contida. Quase uma contradição. Cabelo preso e tal. Minha irmã diz que o meu cabelo, desse jeito que eu prendi, é muito sexy e incomoda ela, porque ela não tem sex appeal, ou alguma coisa assim. Sei lá. Corta.
Pausa.
Aí que reclamaram da minha desorganização, porque eu sou uma moça e tal, porque é mais bonitinho, mais fácil de achar tudo, blá. Não quero. Fim. Curto privacidade fodida. Porque, imagine… A maçaneta da porta do banheiro quebrou. Aí é meio ruim, porque, imagine… Você tá tomando banho. Aliás, a paradinha cortina do box é transparente. Ai, pára.
Então que eu gosto de privacidade. De guardar bilhetinhos e rascunhos e essas coisas guêis (que foi pro lixo, porque estava meio tenso procurar calcinhas no meio de rabiscados). E ponto final. E eu vou jogar essa porra de criado-mudo ou sei lá que merda é essa fora. Fuera de mi viiiiiiiiiiida, diablo!
Parei de traços esquizofrênicos. Preciso exorcizar essas coisas do meu ser coisa e tal. Tá meio insuportável. Daí que, daí que eu vou comprar um baú. Um baú. Nada de guarda-roupa, armário ou sei lá mais que merda. Um baú. Baús são legais. Vou encher de adesivos e vou colocar um cadeado enorme. Ele é de marfim.
Vou comprar duas unidades daquela camiseta, com símbolo salva-vidas e “afoguem as feias!”. Uma eu vou dar de presente, após usar por uma semana. E a outra, é claro, vou ficar pra mim. Porque poesia como tal, não há.
Sei lá. Queria tanto que o meu sobrenome fosse Navarro. Tão fácil de pronunciar.